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cinema Artur Guimarães | quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Zás! Viu: O Lobisomen

Há séculos lendas sobre lobisomens habitam os pesadelos das pessoas. E foi o cinema um dos grandes responsáveis pelo terror originado do mito. Entre as diversas versões, a clássica O Lobisomen, de 1941, dirigida por George Waggner, que serviu de ponto de partida do remake protagonizado por Benicio Del Toto.

A ideia do remake partiu do próprio ator, um grande fã dos clássicos filmes de terror, e de seu empresário Rick Yorn. Não foi difícil montar uma equipe para atualizar o filme. Pouco depois, a maldição que transforma homens em feras insaciáveis em noite de lua cheia voltaria aos cinemas.

Na trama, a infância de Lawrence Talbot é traumatizada pela morte violenta da mãe. O garoto deixa a provinciana Blackmoor e parte para os Estados Unidos para estudar e ficar longe do lugar da tragédia. Décadas depois ele volta ao lugar de origem para investigar o desaparecimento do irmão. Logo se apaixona por Gwen e ao tentar desvendar os estranhos acontecimentos acaba mordido pela besta horripilante e vê aflorar seu lado mais sombrios, que nunca deveria ter despertado.


Os efeitos especiais convencem e aparecem no filme no ponto certo, ajudam a destacar as atuações dos atores sem roubar a cena. Sempre que Benicio se transforma nossa respiração muda de ritmo, o coração acelera. O olhar marcante de Del Toro aparece com destaque no corpo da fera, diferente de outros filmes em que o ator nada tem a ver com monstro quando se transforma. A ideia de aliar maquiagem com computação gráfica funciona e aumenta a veracidade da trama.


As cenas de ação do filme são bastante violentas. Quando está domado por seu instinto animal, Lawrence retalha suas vítimas. Sangue, braços e tripas voam para todos os lados. A brutalidade aliada ao clima provinciano da Inglaterra de séculos atrás fazem do filme um terror de verdade. Assistir a sombra da fera correndo entre as árvores da floresta é de arrepiar.

Sir John Talbot, o pai de Lawrence, foi interpretado pelo experiente Anthony Hopkins, a escolha ideal para papéis de psicopatas. Destaque também para a atuação de Hugo Weaving (Matrix, Priscila - A Rainha do Deserto), na pele de Aberline, um oficial da Scotland Yard, que caça o lobisomen pelas ruas de Blackmoor. A voz do ator fortalece o personagem e impõe respeito, apesar de seu tipo físico franzino. O personagem foi inspirado no agente George Alberline, chefe das investigações dos assassinatos de Jack, o Estripador.


Os figurinos são impecáveis e ajudam a dar veracidade à trama. O trabalho ficou nas mãos de Milena Caronero, vencedora de três estatuetas do Oscar por Maria Antonieta, Carruagens de Fogo e Barry Lyndon.

O Lobisomen, de Joe Johnston (ou seria de Del Toro?), é uma grande homenagem aos filmes de terror clássico. Com o clima de suspense e terror na medida certa. Repleto de cenas para quem não tem estômago fraco. Ah, pelo que me lembre, o romance também está presente. Tímido e sutil entre um braço arrancado e outro.








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