Um dos precursores da videoarte mundial, Gary Hill apresenta uma mostra impactante, em que palavra e imagem se combinam e se confrontam, e participa de debate aberto ao público. Além de quatro obras de acervo, o MIS recebe uma videoinstalação inédita, desenvolvida para o Espaço Redondo.
Na década de 70, depois de explorar as potencialidades da escultura, o norte-americano Gary Hill se voltou para a videoarte, promovendo desde então a integração entre arte e novas tecnologias. Na volta do artista ao Brasil, depois de 12 anos, as novas mídias já vão muito além do vídeo. A exposição Circumstances/Circunstâncias (20 de janeiro a 21 de março) reúne cinco de seus trabalhos, incluindo uma videoinstalação inédita completamente realizada em computação 3D. Para marcar a abertura da mostra, dia 19 de janeiro, às 19h, o curador fará uma visita guiada. Durante a exposição, em data a definir, Gary Hill virá ao Brasil para proferir palestra gratuita.
As obras, que ocupam os Espaços Expositivo e Redondo do Museu, têm como ponto comum um olhar sobre o outro e sobre si próprio diante de uma condição contemporânea onde o tempo é o substrato da existência da arte. Temas centrais de sua carreira estão presentes nos trabalhos selecionados pelo curador Marcello Dantas, como enfrentamento entre linguagem e experiência fenomenológica, sua singular noção do outro (para ele, “a arte é a quintessência da alteridade”) e ainda a relação entre linguagem, imagem, identidade e corpo.
“Logo depois de começar a trabalhar com mídias eletrônicas, eu me prendi às aparentemente infinitas possibilidades da imagética eletrônica e me senti desorientado diante da necessidade de delimitar meu campo para fazer algo acontecer ao invés de assisti-lo acontecer”, afirma Hill. “Minha saída diante deste impasse foi usar meu corpo e sons da fala primordialmente como expressão, mas também como um material que eu poderia lançar contra estes sinais efêmeros e interferir na imagem e sua maneira de estar sempre presente. Eu poderia dizer que me desprogramei do culto à imagem que ainda continua a crescer diariamente”.
Nas obras expostas, Hill aproveita a capacidade do vídeo para criar narrativas complexas e não-lineares, exigindo muitas vezes um engajamento ativo por parte do público, seja para criação de significados, seja através de uma inversão de papéis entre quem vê e quem é visto.
“Gary Hill, desde o início, não pensava a obra enquanto imagem como a tradição das artes visuais. Ele estava explorando um terreno muito menos óbvio, o da fisicalidade do vídeo, da sua relação com a escultura, com o espaço, a arquitetura, o som, e, acima de tudo, o seu impacto sensorial”, afirma Marcello Dantas. Para o curador, o artista utiliza recursos que estendem as possibilidades da técnica em direção à criação de situações onde o espectador está incluído e inevitavelmente imerso em um universo circunscrito pela obra.
(Fonte: MIS)
|