Basquiat, com ele o grafite alcançou o status de arte
O grafite está em alta. De arte de rua, saltou para as galerias e, destas, chegou aos museus. Considerada por alguns como vanguardista, essa forma de manifestação é tão antiga quanto a idade da pedra. As pinturas rupestres feitas nas cavernas pelos homens primitivos nada mais são do que exemplos de grafites, que simbolizam o modo de vida da época.
Por utilizar o espaço urbano como suporte, o grafite é muitas vezes confundido com pichação, embora seja bem diferente desta. A pichação tem como base a escrita, dá destaque à letra, à palavra. Já o grafite busca referências nas artes plásticas. Trabalha com a forma, o volume, a perspectiva, a cor, entre outros recursos.
A prática de grafitar muros e paredes com inscrições de teor poético ou político ganhou impulso em maio de 1968, na cidade de Paris, a partir de onde explodiram no Ocidente os movimentos de contracultura. Inconformados com os rumos do capitalismo, jovens de vários cantos do planeta, munidos de tinta spray, foram às ruas expressar sua insatisfação.
De lá para cá, grafites de vários tipos e estilos eclodiram nas vias públicas como voz eloquente contra os privilégios das minorias elitistas, dominantes nos mais diversos setores da sociedade. Associados a diferentes movimentos e tribos urbanas, como o hip-hop, o grafite por muito tempo foi interpretado como transgressão, até se transformar em fenômeno compreendido e incorporado pelo mainstream.
Assim também ocorreu por aqui. Tanto é que, nas principais cidades brasileiras, o grafite faz parte da paisagem e já foi exposto em muitos museus. Nos grandes centros urbanos do país, convive-se com pinturas de artistas de renome internacional. OsGemeos, Nunca, Nina, Finok e Zefix são alguns dos mais famosos, com trabalhos em vários lugares do mundo. Mas se o grafite despontou em meio à cultura marginalizada e atingiu o status de arte, deve isso em grande parte à figura de Jean-Michel Basquiat.
Um dos pioneiros da chamada street art e, certamente, o mais célebre grafiteiro de todos os tempos, Basquiat tornou-se lenda ao passar feito meteoro pelo cenário artístico de Nova York e revolucionar o modo de ver a pintura nos Estados Unidos da América. Apadrinhado por Andy Warhol, pai da pop art, com quem compartilhou amizade e até mesmo a produção de vários trabalhos, Basquiat começou a pintar telas, e, de mero pichador, passou a ser considerado representante privilegiado de uma escola chamada neoexpressionista.
A partir de então, os trabalhos do artista receberam, por parte da crítica especializada, o rótulo de “primitivismo intelectualizado” e, em apenas três anos, de 1982 a 1985, conquistaram marchands, compradores e ganharam espaço em importantes galerias e museus dos Estados Unidos, Canadá, Holanda, Alemanha e Japão.
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