Um mundo onde o trágico se torna cômico, onde a realidade ganha uma versão ampliada e caricata e onde também se pode descobrir formas criativas de por fim à própria vida sem precisarmos esperar pelo imperativo do tempo, da doença ou da fatalidade. É para este mundo que o leitor se transporta na leitura de A Loja dos Suicidas, de Jean Teulé.
Esta ficção gira em torno da família Tuvache, dona há séculos de uma bem-sucedida loja de artigos e métodos de suicídio e que, apesar dos lucros e perspectivas do negócio, propugna de geração em geração o desejo de se juntar aos clientes no uso derradeiro dos produtos que vende. Mas, o que parece tão somente uma forma esperta de marketing acaba tornando-se um conflito no seio familiar quando um dos Tuvache – o caçula, logicamente fruto de uma gestação indesejada – descobre o sentido da vida e agarra-se a ela com unhas e dentes.
Só lendo A Loja dos Suicidas para deliciar-se com tantas circunstâncias divertidas que o enredo de Jean Teulé propõe. Mas, já é possível adiantar que, se alguém pretende se jogar pela janela, amarrar-se a um pesado bloco de concreto garantirá o sucesso da viagem até o fim. Ou, se de outra forma o cliente preferirá exportar-se deste mundo de forma mais suave, há uma boa variedade de venenos que não deixam gosto ou cheiro – embora todos infalíveis.
(fonte: Ofício das Letras)
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